Pressão da máquina entre 8,5 e 9,5 bar, água na temperatura entre 88° a 95°Celsius, moinho ajustado, tudo absolutamente limpo e organizado nos 15 minutos de preparação. O ambiente é de alegria, amizade e admiração. A mesa de som aguarda para colocar a música escolhida. O barista, ansioso, espera o momento para iniciar sua apresentação. Afinal terá seus merecidos 15 minutos de fama.
Dele esperamos 12 bebidas perfeitas. O salão está cheio de amantes de café. Aliás, já conheci muitas pessoas apaixonadas por vinho, charuto, moto, carro, mas nenhuma com a mesma paixão que encontrei entre os amantes do café. Bem-vindo ao Campeonato Brasileiro de Barista! Para participar é preciso ser um verdadeiro “piloto” de máquina de espresso e conhecer bastante sobre café. O prêmio? Reconhecimento e o direito de representar o Brasil no Campeonato Mundial que, em 2007, acontecerá, em Tóquio, no Japão. Nada mal!
O barista levanta a mão, pronto para iniciar a sua apresentação. Quatro juízes sensoriais, dois juízes técnicos e o juiz principal observam cada detalhe. A ordem não importa, mas, na maioria das vezes, primeiro são preparados quatro espressos, cada um com tempo de extração entre 20 e 30 segundos, crema intacto e equilíbrio entre doçura, acidez e amargor. Qualidade do café também é fundamental.
Muitos competidores torram seus próprios blends. Em seguida, quatro cappuccinos são servidos. O equilíbrio entre o café e a textura do leite vaporizado dá água na boca só de pensar! Por favor, nenhuma relação com aqueles cappuccinos que têm simplesmente uma espuma de leite jogada por cima da dose de espresso e do leite, cujo aquecimento passou do ponto e o deixou aguado. Uma dica: nunca aqueça o leite acima de 75 graus centígrados! A temperatura certa é em torno de 65 graus. Use termômetro até se acostumar. Vários competidores usam toda sua técnica em “latte arte” e, com movimentos precisos, criam desenhos - coração, folha, etc.
Finalmente, o drinque de assinatura – momento em que o trabalho do barista se aproxima daquele desempenhado pelos grandes “chefs de cousine”, criando combinações únicas e sabores jamais provados. O barista é parte chef, parte atendente, parte anfitrião, parte sommelier, parte estudioso. Cada uma destas partes deve ser mostrada simultaneamente enquanto ele prepara as bebidas e responde às perguntas do mestre de cerimônia.
Pontos são dados segundo duas criteriosas folhas de prova (uma técnica e outra sensorial) e o menor deslize será penalizado, como, por exemplo, esquecer de servir açúcar para os juízes. O barista deve tratar os juízes como se fossem clientes. Atenção ao tempo. Extrapolar o tempo permitido pode lhe custar o campeonato! O barista levanta a mão. A platéia aplaude.
Agora ele terá ainda mais 15 minutos para deixar a área impecável. Terminada a apresentação da do sexto finalista do concurso, os juízes se reúnem e a soma dos pontos é feita. É com alegria que anunciamos sempre os campeões regionais e o campeão da Etapa Final.
A Associação Campeonato Brasileiro de Barista – ACBB –, organizadora deste importante evento, não tem medido esforços para promover a formação dos baristas. Já trouxe Paul Basset, australiano e campeão mundial de 2003, e também o time norueguês, campeão da Copa Nórdica, para workshops no Brasil. Em 2006, se você conhece baristas preperados, incentive-os a participar das etapas regionais que acontecerão em Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre. Campinas e Belo Horizonte já têm seus representantes para a Etapa Final do Concurso Brasileiro de Barista.
Participe você também!!!
Estes campeonatos geralmente possuem áreas para estandes e podem ser uma excelente oportunidade para exposição de marcas.
Mas, para discussão, o que vocês acham do papel do barista como elo final da cadeia? E o que pode ser feito para melhorar o nível deles? Sua contribuição é muito importante